Chablis: os brancos ainda a serem descobertos

Quase como um degradê entre a região do festivo Champagne e a sofisticação da Borgonha, encontra-se Chablis, região de belíssimos brancos, leves e com a cara do clima quente brasileiro.

O centro de Chablis fica a 190 km ao sul de Paris, 200 km ao sul de Rheims e a 140 km ao norte de Dijon. A pequena cidade, algumas vezes chamada de vila por ser de fato pequena, pulsa com a economia gerada pelo comércio do vinho produzido das uvas cultivadas nas duas colinas que cercam a cidade a leste e oeste. Como atestado pelo eno-guia Franck, da Chablis Vititours, “Chablis tem apenas 2.500 habitantes, mas oito dos maiores bancos da França, o que mostra que a indústria vinícola por aqui é de fato próspera”. Apesar do grande sucesso, os vinhos da região ainda estão aquém do patamar de celebridade alcançado pelos vizinhos borgonheses. Apesar de igualmente sofisticado, intenso, perfumado e longevo, um Grand Cru de Chablis custa em média metade do preço de um Corton-Charlemagne.

Como tínhamos apenas algumas horas para visitar a região, decidimos contratar os serviços da Chablis Vititours. Franck, o “one-man show” da empresa nos pegou em um local combinado e nos levou em sua van para um passeio de cerca de três horas. Visitamos um lindo mirante próximo a alguns dos vinhedos Grand Crus da região, situados na margem direita do rio Serein que corta a cidade, em seguida fomos ao topo da colina oposta, na margem esquerda do rio, de onde podemos avistar detalhes da geografia e identificar as pequenas diferenças entre os vinhedos Grand Crus e os demais. Por fim, realizamos uma degustação na tradicional propriedade Albert Bichot.

“Chablis tem apenas 2.500 habitantes, mas oito dos maiores bancos da França, o que mostra que a indústria vinícola por aqui é de fato próspera”

Franck, da Chablis Vititours

Diferente do enoturismo em países do novo mundo, como Chile, Argentina e EUA, ou até mesmo em diversas regiões do Velho Mundo, como Bordeaux, Douro ou Toscana, o turismo vitivinícolo em Chablis, assim como na Borgonha, é ligeiramente mais complexo. Isso se dá pelo fato de que os vinhedos das propriedades se localizam distante das vinícolas. As propriedades possuem seu processo de produção e adega em uma localidade central e são donas de parte ou totalidade (no caso, chamado de Monopole) de diversos vinhedos, dos mais simples aos mais valiosos, espalhados por inúmeras regiões. Portanto, na região da grande Borgonha, visitar uma vinícola, sua adega, degustar alguns rótulos e comprar algumas garrafas é uma coisa, conhecer o vinhedo e as plantações é outra diferente.

 

A região de Chablis é dividida em quatro denominações de origem:
  • Grand Cru
  • Premieur Cru
  • Chablis
  • Petit Chablis
Enquanto visitávamos a segunda colina degustamos o Domaine Vocoret & Fils Chablis 2012 e, ao final do passeio, degustamos cinco rótulos da Albert Bichot (vou ficar devendo uma avaliação pois acabei perdendo as anotações do quinto rótulo):

O serviço enoturístico fornecido pelo Franck nos custou €60 por pessoa, o que se mostrou um valor bem adequado para toda a atenção e carisma que recebemos. Não chega a ser uma pechincha, mas para uma primeira visita à região e para a quantidade de informações mastigadas que recebemos, é um valor justo.

 

Algumas dicas para o enoturismo em Chablis

Inúmeras propriedades oferecem degustações gratuitas e, como são, em geral, pequenos produtores, não demandam agendamento para as visitas. Assim que chegamos ao centro de Chablis, enquanto esperávamos nosso guia, fomos à pequena loja da família Gouailhardou, a 20 metros do Centro de Turismo, e “começamos os trabalhos” degustando alguns Premieur Crus, tudo de graça e sem burocracias. A visitação à Albert Bichot é aberta ao público e não demanda agendamento. Uma grande propriedade da região é a Chablisienne. Não chegamos a visitá-la, mas sem dúvida deve entrar em um roteiro na cidade. No site, você pode assistir a alguns vídeos que explicam as quatro Denominações de Origem, mostram um pouco da região e proprietários.

O mirante que descrevi acima pode ser facilmente acessado de carro, possui estacionamento e não custa nada. Pergunte por direções no Centro de Turismo. Os funcionários são sempre muito prestativos e atenciosos. Só fique atento com o horário: eles fecham para o almoço.