Aromas

exame olfativo é sem dúvida o mais curioso de todos. Para os jovens enófilos, ouvir que um vinho possui aroma de carvalho, maracujá ou frutas do bosque pode parecer, no mínimo, cômico. De fato a coisa é por aí mesmo. Mas não é complicado explicar o motivo.

Quantas vezes usamos nossa visão durante o dia? Praticamente todo o dia, correto? E quantas vezes usamos nosso paladar para identificar texturas, sabores e sensações? No mínimo, três vezes ao dia (sem contar os lanchinhos). E quantas vezes sentimos o aroma das coisas? Poucas vezes! Praticamente apenas quando vamos na sessão das frutas no supermercado ou em uma feira livre, e mesmo assim apenas quando prestamos bastante atenção. Ou seja, o olfato é um dos nossos cinco sentidos menos exercitados. E quando chega a hora de identificar os aromas delicados e sutis do vinho, de fato não é tarefa fácil.

Infelizmente não é possível ¨treinar o nariz¨ para identificar os aromas dos vinhos lendo livros (muito menos blogs). Você terá mesmo que começar a meter o nariz por aí para se aperfeiçoar. Para ajudar no processo, descrevo abaixo algumas técnicas simples para você executar o exame olfativo de forma sistemática e, com isso, ir pegando o jeito da coisa.

1. Aromas Fragrantes

Logo após o exame visual, leve a taça ao nariz buscando identificar aromas fragrantes, ou seja, aromas marcantes que se destacam dos demais. Faça isso antes mesmo de oxigenar o vinho, antes de rodopiá-lo na taça buscando liberar e intensificar os aromas mais adormecidos.

Os aromas são divididos em alguns grupos que, dependendo da literatura, podem variam um pouco. Mas em linhas gerais os grupos e aromas são os seguintes:

  • Floral: acácia, lírio, margarida, jasmin, petúnia, violeta, pessegueiro, rosa, gerânio etc.
  • Frutado: limão, romã, amora, cereja, frutos do bosque (framboesa, cassis, mirtile, morango, groselha), abacaxi, banana, maça, marmelo, melão, melancia, pêssego, damasco, lima, pera, tangerina, ameixa, maracujá, noz, avelã, figo, castanha, ameixa, uva, passa etc.
  • Vegetais: capim, feno, hortelã, tabaco, louro, funcho, musgo, sous bois (fica como dever de casa descobrir do que se trata) etc.
  • Especiarias: anis, canela, noz-moscada, cravo-da-índia, pimenta, alcaçuz etc.
  • Animal: couro, pelica, caça etc.
  • Outros: café, amêndoa, baunilha, alcatrão, trufa, caramelo, leveduras, casca de pão, mel, madeira, cacau etc.

Algumas curiosidades sobre os aromas:

  • Em linhas gerais (salvo algumas exceções), vinhos brancos possuem aromas de coisas brancas e vinhos tintos possuem aromas de coisas vermelhas.
  • Os aromas dos vinhos podem ser de três tipos: primários, secundários e terciários. Primários são aqueles originados da própria uva, secundários são aqueles originados da fermentação e terciários são aqueles oriundos da madeira utilizada para amadurecimento do vinho (que gera aromas como baunilha, café, caramelo e carvalho).
  • Não se acanhe para inserir o nariz na taça. No começo você pode até ficar desajeitado ou envergonhado, mas para melhor identificar os aromas você vai ter que fazer mais do que levar a taça a alguns centímetros do nariz. Pode colocar o nariz todo dentro da taça, garanto que ninguém vai te olhar com cara feia.

2. Oxigenação

Após identificar possíveis aromas fragrantes, é hora de oxigená-lo. Gire a taça e faça o vinho rodopiar dentro dela. Este movimento é importante pois o contato com o ar faz o vinho liberar seus aromas com mais intensidade. Desta forma fica mais fácil identificar os aromas menos intensos e mais sutis.

Não existe muita técnica para realizar a oxigenação. Para os mais inseguros, tente girar a taça com ela sobre a mesa (a animação abaixa mostra como se faz). Isso dará mais firmeza e segurança. A regra principal aqui é apenas evitar entornar o vinho, afinal de contas ninguém gosta de manchar a roupa ou, principalmente, jogar fora algumas gotas do precioso néctar prestes a ser degustado.

Exame Olfativo Oxigenação

3. Aromas Secundários

Por fim, leve a taça mais uma vez ao nariz e tente identificar aromas que não foram facilmente identificados na primeira análise. A lista de aromas citadas anteriormente continua valendo aqui.

Fique à vontade para repetir os passos 2 e 3 quantas vezes quiser. Dependendo da situação, relaxe, deixe sua imaginação correr solta e procure identificar o máximo de aromas possíveis. Tente identificar nuânces do tipo frutas do bosque frescas, secas ou em geléia. São aromas bem parecidos, mas a idade do vinho ou particular método de fabricação pode gerar vinhos que diferem em pequenos detalhes como esse.