Como escolher vinhos de forma inteligente

Escolher vinhos adequados a uma comemoração, a um momento especial ou simplesmente para o dia-a-dia não é das tarefas mais fáceis. Exagero meu? Escrevo este texto em abril de 2014 quando a rede social vitivinícola Vivino aponta que há 49.824.363 de rótulos em seu banco de dados. Ou seja, se degustarmos um vinho por dia a partir do nosso aniversário de 18 anos, até completarmos 90 anos teremos experimentado 26.280 vinhos. Faça as contas. Precisaríamos de cerca de 1.900 vidas para experimentar todos os vinhos e safras do planeta. Portanto, é fato que escolher um vinho para a adega ou para acompanhar a refeição não é tarefa fácil. Por isso, abaixo, apresentamos algumas dicas simples para facilitar a escolha do vinho sem que seja necessário apelar para aqueles já conhecidos. Afinal de contas, com tanto vinho bom por aí, por que degustar sempre os mesmos?

Como escolher vinhos pontuados

Provavelmente, a melhor forma de acertar na escolha do vinho é optar pelos vinhos pontuados por especialistas ou publicações especializadas. Atualmente, as principais referências são as revistas Wine Spectator (muitas vezes identificada pela sigla WS), Wine Enthusiast (WE) e Decanter (DE), o crítico Robert Parker (RP) e o guia Descorchados (DS, que cobre vinhos argentinos, chilenos e uruguaios). As avaliações realizadas pontuam os vinhos em uma escala de 50 a 100 pontos, onde quanto maior a nota, obviamente, melhor o vinho. Você pode encontrar nas respectivas publicações e websites uma descrição de cada faixa de pontuação, mas, em linhas gerais, nem todas as descrições e detalhes técnicos serão necessários para que você faça a sua escolha. Por isso, separamos algumas dicas que podem ser úteis na hora da escolha:

  • Vinhos com menos de 80 pontos possuem grande chance de não agradar.
  • De 80 a 85 pontos você encontra vinhos medianos, bons vinhos, mas sem nada especial.
  • De 86 a 91 pontos é onde você irá encontrar os vinhos com melhor relação custo-benefício, vinhos diferenciados a um preço razoável.
  • Acima dos 91 pontos, todos são ótimos vinhos. Nesta faixa seu único problema será o bolso. Se puder pagar, vá em frente e seja feliz.

O artigo “As avaliações e pontuações aqui do blog” fornece mais detalhes sobre como as avaliações aqui do blog são realizadas e como os vinhos são pontuados. Tente você também avaliar e pontuar os vinhos que degusta e descubra como, além de fácil, esta prática facilita a comparação dos rótulos.

Como escolher vinhos pelo preço

Se tivesse que ser politicamente correto, diria que preço não é sinônimo de qualidade. De fato existem muitos vinhos excelentes a um preço razoável e muitos vinhos ruins caros. Mas, normalmente, o preço do vinho é um bom balizador de sua qualidade. Como em todos os mercados, podem existir pontos fora da curva, mas os critérios abaixo irão fazer você acertar mais vezes que errar:

  • Vinhos na faixa dos R$20, R$30 e R$40, usualmente, são vinhos corretos, bons, porém simples. Não espere nada de surpreendente. Eventualmente você irá até encontrar um vinho diferenciado que lhe agrada bastante, mas, na maioria das vezes, encontrará apenas vinhos medianos. E quando encontro um destes vinhos diferenciados, coloco-o na página “Vinhos bons e baratos até R$50” da forma agradável possível: em vídeo.
  • Entre R$50 e R$70 se encontram os vinhos com melhor relação custo-benefício. Esta é uma faixa complexa, onde você pode até encontrar vinhos medianos ou que não agradam, mas dificilmente irá errar e comprar vinhos ruins. Na maioria das vezes, encontrará vinhos que lhe agradarão bastante, alguns deles ficarão inclusive em sua memória.
  • Na faixa acima de R$100 é onde se encontram os vinhos especiais. De R$100 a R$200 você encontra vinhos muito bons, com características diferenciadas, vinhos que lhe farão perceber detalhes nunca percebidos ou que lhe trarão novas experiências.
  • Na faixa dos R$300 e R$400 você começa a encontrar alguns vinhos ícones, vinhos excepcionais conhecidos mundialmente.

 

Duas rápidas observações:

  • Os preços acima valem para o Brasil. No exterior as faixas mudam completamente de significado.
  • Leve sempre em consideração as particularidades do local onde irá adquirir o vinho: supermercados e algumas lojas podem ter um preço um pouco melhor que a faixa identificada, enquanto que restaurantes usualmente possuem um preço ligeiramente superior.

E o mais óbvio… Como escolher vinhos pelo custo-benefício

Você não precisa ser matemático, economista ou especialista em vinhos para saber que os melhores vinhos para levar para casa são aqueles com boa relação custo-benefício. E ela é alcançada exatamente quando colocamos em prática as duas abordagens citadas anteriormente.

Comparar custo é fácil. Quanto mais barato, melhor. Mas como comparar benefício quando estamos na frente da prateleira ou com a carta de vinhos à mão? Uma excelente opinião é utilizar a pontuação para identificar, antes de degustar ou mesmo antes de comprar o vinho, qual rótulo fornece o maior benefício.

E é exatamente isso que exercito na página “Top 10 custo-benefício”, onde procuro os vinhos pontuados (de 91 a 100 pontos, em qualquer referência) mais baratos à venda na internet e os listo de bandeja para você. Aproveite!

Algumas dicas para fugir de roubadas

  • Algumas vinícolas chilenas e argentinas possuem rótulos “Reservado”. O termo é puramente marketing e não representa nada além da intenção de dar ao vinho um caráter mais sofisticado. Na Espanha, as regras de Classificações de Qualidade especificam critérios rígidos para os vinhos ostentarem os rótulos Reserva e Gran Reserva, que de fato representam um vinho de qualidade superior (saiba mais sobre Denominações de Origem e Classificações de Qualidade). Já aqui na América do Sul, o “Reservado” representa apenas uma menção marketeira aos termos espanhóis.
  • Tradicionalmente, os vinhos pelo mundo são comercializados em garrafas de diversos tamanhos padrão. Veja na imagem ao lado os tamanhos mais comuns. Porém, atualmente, tenho visto nos supermercados garrafas de 1L. Em todas as vezes que isso aconteceu, tratava-se de vinhos suaves de baixo custo, ou seja, vinhos adocicados de baixa qualidade (estilo “Sangue de Boi”). Isso comprova o fato que vinhos finos não são comercializados em garrafas de 1L.